Por trás de muitas das emocionantes palavras de líderes como o presidente Barack Obama, executivos de grandes empresas e personalidades está uma crescente indústria de criadores de discursos.
Aqueles que não contam com seu próprio time, como Obama na Casa Branca, pagam, em média, US$ 10 mil por discurso (em torno de R$ 17,4 mil). Há casos em que um único texto pode valer até US$ 25 mil.
Os pagamentos refletem a rápida comercialização da arte do discurso, numa época em que a simples fala de um líder pode marcar para sempre a sua carreira e uma palavra dita por um executivo pode afundá-lo.
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De acordo com Vinca LaFleur, a empresa trabalha com nomes conhecidos no mundo dos negócios, da filantropia, do entretenimento e da política.
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Na avaliação de Ryan Clancy, diretor de discursos do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, “discursos são uma excelente ferramenta, que servem como uma peça central para ampliar estratégias de comunicação. Geralmente, as pessoas erram ao pensar que um discurso é apenas parte de um único evento. Se é feito da maneira correta, um bom texto pode ajudar, fixando a mensagem desejada por dias ou até semanas”.
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“Os discursos ganharam mais visibilidade nos últimos anos. Se tornaram muito mais profissionais e há cada vez mais empresas abrindo para comercializá-los”, disse à BBC Brasil Elias Wolfberg, advogado que abandonou o direito há três meses para dedicar-se exclusivamente a escrever discursos.
“Quando políticos falam em público, eles têm a oportunidade de mudar as pessoas e fazer com que elas tomem ação. Isso é muito poderoso e real.”
De acordo com Clancy, todos os bons discursos têm alguns ingredientes em comum.
“O primeiro e o mais importante elemento é um pouco clichê, no entanto, verdadeiro: você precisa contar uma história”, diz Clancy.
“Você pode ter todos os fatos e detalhes no mundo, mas nada disso irá importar se não for apresentado em uma história atrativa. Um dos meus colegas na West Wing tinha um ditado: as pessoas nem sempre lembrarão exatamente o que você disse num discurso, mas elas lembrarão como você fez eles se sentirem. […].”